Uma questão de saúde animal

Por Robson Le Mener


Uma questão de saúde animal

Casqueamento e ferrageamento - Uma questão de saúde animal

 

Quando o cavalo passou a ser utilizado pelo homem para o trabalho, a cerca de 3000 a.c. , começamos a nós preocupar com sua saúde, principalmente dos cascos. Em 430 a.c. o filósofo, historiador, e militar grego XENOFONTE descreveu as características ideais dos cascos, e sua importância no desempenho do cavalo, salientando que "Se um cavalo não tem cascos bons nunca terá futuro como cavalo de batalha"(HICKMAN, 1977).
A história da domesticação, cuidados, e ferrageamento dos cavalos, se entrelaça com a da humanidade, do aço, e medicina veterinária. Nos tempos de hoje o cavalo praticamente não é mais um meio de transporte, máquina agricula, ou arma de guerra; más continuam sendo exigidos ao máximo na prática de diversos esportes hipicos.


A presença de alterações nós cascos, no seu equilíbrio podem causar claudicaçoes, a maioria das causas de claudicação  estão relacionadas ao casco. Podem também predispor a patologias, e lesões em todo o aparelho locomotor, afetando assim, de forma significativa o desempenho e longevidade esportiva desse animal.


O casqueamento e ferrageamento correto consiste em garantir uma distribuição uniforme de peso em todo o casco, esse procedimento é de extrema importância, pois influencia diretamente a forma desse animal se movimentar. A movimentação dos membros do cavalo é dividida em fases, e o desequilíbrio e o mau ferrageamento afetam principalmente, a aterrissagem ( momento em que o casco toca o solo), o "sliding"( escorregada antes do casco frear de vez. Importante discipador de carga no membro, é prejudicado  pela escolha de ferraduras e cravos inadequados, assim como a má preparação e colocação dessas ferraduras), a carga ( momento onde o casco está suportando todo o peso e força), o ponto de quebra( ápice do momento em que o casco irá deixar o solo) e o vôo. Alguns indivíduos apresentam alterações na movimentação e postura imediatamente, outros suportam um pouco mais.


"Nenhum outro procedimento de rotina no manejo tem maior influência sobre a saúde do cavalo atleta do que o casqueamento e o ferrageamento correto"(O'GRADY & POUPARD, 2003).
Existem diversos tipos de ferraduras, usadas de acordo com a necessidade ou modalidade esportiva do cavalo. Elas podem ser preventivas, trazendo estabilidade e ajudando na performance, ortopédicas, ajudando no tratamento de lesões, e terapêuticas, ajudando  na correção de movimentos e postura.
Embora o próprio nome tenha origem no principal material em q ela é feita, o ferro, a ferradura hoje tem uma variedade grande de materiais em que é confeccionada, como alumínio, cobre, Titanium, plástico, borracha, e madeira.
O ferrageamento pode ser realizado a "quente" ou a "frio", isso vai depender de vários fatores, habilidade do profissional, condições do casco, liga do material em que é feita a ferradura, e até a preferência do proprietário.


O tamanho da ferradura deve ser adequada ao tamanho do casco, ela deve ser forte o suficiente para suportar o peso e força exercidas sobre ela, porém sem exageros, deve prevalecer o bom senso de proporções. A ferradura deve acompanhar todo o formato do casco devidamente aparado, não ser muito larga, nem muito estreita, nem curta ou comprida. Deve se manter uma sobra aparecendo pra fora do casco, da parte mais larga do casco para trás ( talões), essa sobra é para garantir que a ferradura continuará "servindo" no casco até o retorno do ferrador, o prazo médio desse retorno é de 5 semanas, podendo variar por diversos motivos, entre eles estão o ambiente, rotina de exercícios, alimentação, patologias, e índice pluviômetrico ou estação do ano de cada região do país.
A ferradura deve fazer contato com todo o perímetro distal da parede do casco, e não precionar a sola, há situações onde pode haver contato, más é preciso cautela para isso. Os cravos devem ser compatíveis com tamanho e qualidade do casco, devem ser colocados na linha branca, cravos colocados pra fora da linha branca, próximos a parede do casco, não irão ficar essa ferradura adequadamente por muito tempo, e os colocados pra dentro, próximo a sola, podem atingir áreas sensíveis, internas do casco. Não devem ser colocados para trás da parte mais larga do casco, devido ao estreitamento da linha branca nessa área, também diminuição da espessura da parede do casco, o que gera maior movimentação . Os cravos devem sair numa altura média do primeiro terço distal da parede do casco, os "arrebites" devem ser pequenos e frágeis o suficiente para abrirem, para que essa ferradura se solte em caso de acidentes, sem danificar estruturas internas nem a parede do casco, facilitando assim sua substituição.


A avaliação de um bom casqueamento e ferrageamento deve fazer parte da rotina dos "cuidadores" de cavalos( ferradores, veterinários, tratadores, treinadores, e proprietários) esse procedimento deve contar com introsamento de todos envolvidos, isso aumenta as chances de sucesso em qualquer segmento da equinocultura , permitindo uma maior eficiência no tratamento e prevenção de doenças e lesões, levando esse animal a uma longevidade esportiva, ou qualidade de vida.
A saúde do seu cavalo começa pelos cascos!

Robson Le Mener



Data: 2020-02-20 16:44:41




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